terça-feira, 9 de abril de 2013

Minha vida contada aos poucos


Minha vida contada aos poucos
Chegando aos meus 50 anos, olho pra trás e vejo o que fiz da minha vida, não vejo nada do qual possa sentir orgulho, é triste mais é verdade.
De cima dos meus 50 anos, vejo que tenho 5 filhos, Paulo Alberto ta com 27 anos, e ta desde 2010 preso por tráfico, em Campo Grande, coitado meu filho, foi pego em Terenos,foi preso por transportar 10 kg de cocaína. Passou 8 meses no presídio de trânsito, depois foi transferido para a colônia da gameleira,  e lá está até agora, já poderia estar no regime aberto ou seja já poderia estar apenas dormindo no albergue, mas o sabido quebrou o semi-aberto, primeiro me apareceu aqui em Corumbá uma manhã, junto com outros dois, alegando que o carro tinha estragado e por isso não pode chegar a tempo de entrar na colônia, mas eu mandei ele de volta na mesma hora, e depois no final do ano passado, me liga a mãe da filha dele me avisando que Paulinho, estava foragido.
Quando soube disso, fui imediatamente pra CG, procurei por ele e o levei pessoalmente até o presídio e o entreguei às autoridades policiais para que termine de cumprir sua pena, Passou 90 dias no presídio de segurança máxima, e agora por determinação do juiz, voltou ao regime semi-aberto, está esperando poder sair para trabalhar.
Coitado do meu filho, a vida não foi fácil pro mesmo, estava numa boa trabalhando no hotel nacional, já tinha 4 anos de carteira assinada, todos no hotel gostavam dele, não sei quando começou a traficar, mas sei que parte da culpa é da mãe da filha dele, sempre querendo mais do que ele podia oferecer, pois o que ele ganhava, mal dava pra pagar as contas que tinha, pagando R$ 547,00 por mês da prestação do carro, não sobrava muito pra poder fazer os gostos dessa menina.
Agora só me resta ajuda-lho, se bem que não posso fazer muito por ele, pois sou um homem sem serviço fixo, vivo de bicos, trabalho um tempo de servente de pedreiro, e outro tempo de ajudante de pintor, o pouco que ganho o divido entre pagar a pensão e minhas contas. Mas falaremos disso mais adiante.
Paulinho, teve uma criação difícil, não fui um bom pai, de nenhum dos meus cinco filhos e isso irei contando aos poucos, no caso de Paulinho, quando ele nasceu, foi como uma benção para mim e para a mãe dele, menino bom, na época a minha mulher trabalhava como faxineira do colégio cenig e eu trabalhava de garçom no restaurante tarentela, me lembro que era um garçom medíocre, (Alias será uma constante na minha vida) atendia a parte da frente do restaurante, os melhores garçons trabalhavam nos fundos que era no ar condicionado, trabalhei por acho uns 9 meses, quando sai do restaurante, fui trabalhar na rádio Difusora como operador de áudio, ou sonoplasta, que era como  se chamava na época, trabalhei acho por uns 6 meses, fiz muitas amizades, me lembro que cultivo algumas amizades desde aquele então, lá conheci Samuel Fontes Sorio (Samuca), Aloisio Santana (Lulú), eses os amigos que tenho até agora.
Naquele tempo Paulinho já estava com quase 3 anos, o grupo proprietário da rádio estava pra inaugurar a primeiro FM em Corumbá, e fui selecionado entre outros pra ir e inaugurar e trabalhar na FM, tanto que foi eu quem a colocou no ar, no dia 21 de setembro de 1985, trabalhei lá por uns nove meses, era Robertinho de manhã, Pedro Paulo a tarde e eu a noite, sempre as turras com meus companheiros, não sei o porque era revoltado com tudo, briguei uma vez com Edgar Villaroel, por ele chegar tarde pra me substituir, me lembro que saímos na porrada mesmo, levei uma suspensão por tal façanha, mas eu me achava o máximo, lembro que era um bom operador, mas reclamava por coisas mínimas, tudo era motivo de reclamação e não gostava de fazer o programa da Fatinha, achava ela uma péssima locutora, e trabalhava de má vontade, hoje vejo como eu era uma besta, qualquer defeito nos comerciais, nos toca-discos, já merecia uma critica, que era extensamente relatada na roteiro da rádio, até que os proprietários da rádio se cansaram dos meus chiliques e me mandaram sumir.
Fui mandado embora, e fiquei marcado, como mau funcionário, tanto que tentei trabalhar de novo lá e não fui aceito.
Naquele tempo Paulinho já estava com aproximadamente cinco anos, e apanhava as vezes, a minha mulher também apanhava as vezes por defende-lho.
Depois que sai da rádio eu e minha família fomos pra Santa Cruz de La Sierra,  e lá trabalhei como DJ do night club mauna loa, o nome era referencia a um vulcão no Hawaii, entrei como ajudante de barmen, e depois passei a desempenhar a função de Dj, Morava na casa dos meus pais, e minha mulher trabalhava numa fábrica de condimentos, ficamos morando na Bolivia por quase um ano, os meus pais gostavam da minha mulher e do meu filho, eu trabalhando como Dj, era um bom funcionário, até um dia que saímos do serviço e fomos tomar cerveja na casa de um dos garçons chamado Jimmy, bebemos das 4 da manhã até umas 9, quando vi ele se engraçando com minha irmã, e resolvi cobrar respeito, saímos na porrada, como era na casa dele e o pessoal viu que ele estava levando a pior entraram na briga e me deram uma senhora surra, Quando o dona do clube soube, me mandou embora, pois ele era mais antigo e não podia demiti-lo, foi a segunda vez que fui afastado do serviço por causa de briga.
Depois disso ainda ficamos uns dias morando lá até resolvermos voltar para Corumbá, ficamos morando na casa da falecida irmã dela de nome Miriam, eu comecei a trabalhar no restaurante pastina nostra, que ficava na Av Gral Rondon, como sempre trabalhava na calçada, pois como já falei antes, não era um bom garçom, trabalhei lá por uns 6 meses, aí um dia apareceu lá o dono da Studio 1054, a mesma tinha fechado pra reforma, e perguntei até quando ia ficar fechado, ai ele a modo de resposta me perguntou se era por causa disso que tinha diminuído o movimento no restaurante, eu respondi que sim, então ele me perguntou se conhecia alguém que fosse Dj, respondi que eu era Dj, me olhou de cima a baixo, pareceu não acreditar, até que eu falei que se quisesse, poderia fazer um teste, ao que ele respondeu, que ia ver, passaram os dias e um dia ele me chamou pra ir no clube e fazer o teste.
Chegando lá perguntei pelo Sr Luiz Antônio Martins, irmão do Vanderlei, ele era quem ia aplicar o teste, fui levado até o dito Sr, me apresentei como sendo candidato ao cargo, perguntou se tinha experiência e falei da minha passagem pelo mauna loa, então mandou esperar enquanto o outro que estava na cabine fazia a sua demonstração, quem estava no comando das pick ups era um conhecido meu chamado de Agnaldo, ele era Dj do Marisco, na marinha de ladáriio, mas como me lembro naquele tempo, o pessoal trabalhava apenas com fita K7, e ali a prova era com toca-discos, me lembro que ele tocava a música até o final e depois ia colocando a outra, como se costumava fazer com fita, quando fui chamado até a cabina, observei que eram dias MK2 novinhas em folha, fiz essa observação pro Luiz a respeito dos Ptchs, ai ele falou - já vi que você entende, e depois de me falar qual canal do mix era de cada toca-disco, comecei a mostrar como se mixa, ele ficou encantado, pois Dj assim só se encontrava nas grandes cidades.
Eu ainda trabalhava como garçom na pastina, um belo dia sai na porrada com o ajudante dos garçons, chamado Ivo, nem vou contar que perdi o emprego de novo por causa de briga

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